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Palmas para a emoção – À Sombra dos Eucaliptos

Palmas para a emoção

Quase tudo virou mercadoria nos dias de hoje. O futebol não é diferente. Pelo contrário, o esporte bretão transformou-se num dos maiores mercados do planeta. Rola muita grana nos bastidores, os salários dos atletas dos grandes clubes são astronômicos e os anunciantes despejam altos volumes de dinheiro no patrocínio de campeonatos e equipes. Confesso que há momentos em que não consigo perceber onde foi parar a emoção referente à bola rolando nos gramados profissionais espalhados por aí.

Todavia, também há os episódios que recolocam o futebol no seu iluminado lugar. Alguns deles podem ser descritos pela identificação de alguns jogadores com o time em que jogam. Outros simplesmente emocionam pela sua essência. Por exemplo: A convocação de um lateral do Náutico, cujo nome eu não me recordo agora, para a Seleção Brasileira que joga na Bolívia, neste sábado (6/4). Quer uma entrevista mais sensibilizante do que a protagonizada pelo humilde rapaz? O cara não aguentou o misto de alegria com as reminiscências dos dias sofridos em que as coisas na sua vida não eram nada fáceis. Desabou em copiosas e sinceras lágrimas. Ele exalava um esquecido orgulho de vestir a camiseta canarinho. Foi uma grata cena emocionante.

Noutra ponta, os boleiros que criam laços com as instituições em que trabalham dão elementos para que a emoção pulse com veemência. Encanta-me o toque de bola do Barcelona, centrado no trio Xavi, Iniesta e Messi, talentos cravejados pela identidade única associada ao nosso freguês catalão. Foram e são vários os que assim procederam na história longínqua e recente do Inter. Larry, Bodinho, Don Elias, Valdomiro, Fernandão, Tinga, Clemer, Índio, D’Ale… Escolhi o baixinho Iarley para resumir este sentimento, na medida em que ele me faz lembrar determinados instantes muito, mas muito decisivos. Foi bastante triste quando alguém da direção teve a honrosa ideia de demitir daquela maneira bizarra o inesquecível autor da jogada do Mundial. A identificação que Iarley nutria com a multidão colorada não merecia nem a pequena manchinha engendrada pelos descuidados cartolas.

Eduardo Galeano retratou o futebol moderno na figura de uma “era das sombras”. Não deixa de estar correto o célebre escritor uruguaio. No entanto, se olharmos bem, repararmos com atenção, o coração ainda pode bater forte quando as circunstâncias convergem para além da incontrolável profissionalização. Nem que seja em certos relances, o sol acaba aparecendo. Só de lembrar o saudoso guerreiro Iarley, rendo as minhas vivas palmas para a emoção.

Bernardo Caprara, Campeão de Tudo.

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