Surge um volante

O empate em zero na Vila Belmiro foi uma gloriosíssima porcaria. O Inter até não jogou mal, impôs seu ritmo, teve certo domínio territorial, não sofreu grandes sustos defensivos, e, se tivesse vencido o Santos, isso não seria nenhum absurdo. Porém, em termos de tabela, o resultado só refletiu a mediocridade e a insipidez da campanha colorada no Brasileirão. Bom comportamento defensivo e pobreza ofensiva: eis a síntese do que foi o Internacional diante da Baleia.

Muito da segurança defensiva encontrada na partida de ontem se deveu à belíssima atuação de um primeiro volante muito jovem que entrou no time como se fosse um veterano. Falo de João Afonso. Seguro, tranquilo, jogando sempre de cabeça erguida, sem extravagâncias, acertando passes. Clemer foi extremamente feliz ao garimpar esse menino das categorias de base. Pela amostra, ainda pequena, é verdade, mostra-se infinitamente superior a Aírton, e consideravelmente melhor que Josimar e Ygor. Mal comparando, e guardando todas as devidas proporções, lembra muito Sandro no estilo de jogar. Se tiver cabeça, pode estar começando a trilhar um belo caminho no Internacional. Foi ele, sem dúvida, a melhor notícia da noite sem gols em Santos.

Em relação ao que não funcionou, bem objetivamente: o trio de meias, composto por D’alessandro, Jorge Henrique e Alex não conseguiu se encontrar em campo. D’ale foi o melhor dos três, sem ser brilhante. Jorge Henrique foi taticamente dedicado e exemplar, como sempre. E só. Já Alex… Este, a rigor, ainda não reestreou no Inter. Chegou justificadamente desembocado do semi-amador futebol do mundo árabe. E não mostra, preocupantemente, absolutamente nenhuma evolução. Falta-lhe o tempo das jogadas, falta-lhe velocidade de execução, e, por consequência, falta literalmente acabamento, não por errar tecnicamente, mas por não conseguir dar sequência a nada que tenta dentro de campo.

Scocco entrou em seu lugar, e melhorou o time, com mais movimentação. Porém, o argentino foi uma usina para acender uma lâmpada; tecnicamente ficou devendo muito, assim como Damião, cuja má fase merece estudos mais aprofundados. O centroavante precisa ser reabilitado, pois parece sem confiança. Falta-lhe a convicção, o cheiro de gol que o caracterizou desde os primeiros momentos em que surgiu no clube.

Resta, agora, projetar o Gre-Nal. O Grêmio, sejamos realistas, é franco favorito. Vive momento infinitamente melhor e tem um time mais seguro e confiante. O que pode equilibrar o jogo é a entrega e a dedicação por parte do Inter. Trata-se de ter a humildade de reconhecer um adversário que hoie é indubitavelmente melhor. Uma vitória vermelha só virá na base da transpiração. Trata-se, agora, de um campeonato à parte, o gostinho que parece ter sobrado de um Brasileirão para ser esquecido pelo Colorado. E como um campeonato à parte deverá ser tratado por comissão técnica e elenco.

O Inter está em dívida constrangedora para com sua torcida nesta temporada. O máximo que pode fazer no momento é pagar o mínimo do cartão. E o mínimo do cartão é o Gre-Nal de domingo.

Notas:    

Muriel: 6

Gabriel: 4

Jackson: 6

Juan: 5

Kléber: 5

João Afonso: 7

Willians: 5

D’alessandro: 5

Jorge Henrique: 4

Alex: 2

(Scocco: 3)

Leandro Damião: 4

(Nathan: sem nota)

João Afonso foi o grande destaque colorado na Vila Belmiro. Foto: site oficial do Sport Club Internacional

João Afonso foi o grande destaque colorado na Vila Belmiro. Foto: site oficial do Sport Club Internacional

1 Comentário

  1. Avatar Dieison Santos 17 de outubro de 2013 Reply

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