Final

Os Protagonistas: uma festa inesquecível

A vida é feita basicamente de dias medianos, intercalados por alguns dias muito bons, alguns dias muito ruins, raros dias em que dá vontade de morrer, e também raros dias em que nós simplesmente temos que agradecer por estarmos vivos. Hoje, foi o último caso.

A festa de reinauguração do Beira-Rio foi absolutamente fantástica. Impecável. Mexeu com os recôncavos das emoções de todos os colorados que a puderam assistir. Superou em milhões de anos-luz as minhas expectativas.

Aliou a técnica a uma sensibilidade incrível. Me fez sorrir. Me fez chorar. Me fez sentir o homem mais feliz e grato do mundo por ser colorado. Tento buscar adjetivos para aquilo que vi. E me vejo completamente limitado.

Devo parabenizar a todos os envolvidos neste espetáculo de cores, de luzes e de magia que ficará marcado para sempre nas páginas mais bonitas da história do Internacional. Parabenizo ao Presidente do clube, Giovanni Luigi, que tanto critico neste espaço, parabenizo aos colorados que idealizaram o evento, e parabenizo ao diretor do espetáculo Edson Erdmann, pelo trabalho absolutamente magistral que desempenhou. Não há como descrever o que se viu no Beira-Rio na histórica noite de 5 de abril de 2014. 

Alguns momentos, em especial, foram muito comoventes.

Das glórias dos anos 70, surgiu em meio às luzes pirotécnicas, fardado da cabeça aos pés, Paulo Roberto Falcão, o maior nome da história do Internacional. Que cena linda. Para mim, particularmente, foi o ápice, o clímax. Foi a minha primeira enxurrada de lágrimas.

Falcão, eterno. Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Falcão, eterno. Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Depois, passando pelas doloridas décadas de 1980 e 1990, ocorreu algo que eu nunca poderia imaginar nesta vida: Fabiano, o Uh Fabiano, aquela figura maluca, folclórica, uma espécie de Sérgio Mallandro dos gramados de futebol, me fez chorar naquele que talvez, entre tantos momentos humanos da festa, tenha sido o mais humano de todos. Genuinamente humano. Em seu depoimento sobre o Gre-Nal dos 5×2, ele disse algo como: “Pelo menos isso eu consegui fazer, deixar meu nome na história do Inter. Não consegui ganhar um grande título, um Brasileiro, uma Copa do Brasil… Mas a gente tentou… A gente tentou…” Embargou a voz, não conseguiu mais falar, iniciou o choro, e eu, que vivi muito intensamente aqueles anos de esperanças sempre frustradas em plena infância e início de adolescência, fui junto.

Em seguida, uma linda, singela e tocante homenagem àqueles que se foram. Personagens fundamentais que não tiveram a oportunidade de presenciar o hoje do clube, mas que fizeram, no ontem e no anteontem, muito para que chegássemos ao que somos atualmente. É incrível pensar em quantas vidas foram dedicadas a construir com trabalho, com suor, ou mesmo com uma oração ou um grito um pouco mais alto num momento de dificuldade no estádio, em um jogo qualquer, esta potência que o Colorado é.

Por fim, os redentores anos 2000. Glórias em cima de glórias. Alegria. Êxtase absoluto. A sensação de que tudo que ocorreu com o Inter ocorreu exatamente da forma como deveria ter ocorrido, materializada em figuras como Fernandão, Clemer, Iarley, Adriano Gabiru, Alex, Índio, Abelão… Redentores anos 2000, marcados pela definitiva internacionalização do Internacional, com os dois títulos da Taça Libertadores, as duas Recopas Suk-Americanas, as Copas Dubai, Sul-Americana, Suruga Bank, e o Mundial Inteclubes.

Os personagens dos gloriosos anos 2000. Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Os personagens dos gloriosos anos 2000. Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Foi inesquecível. Sei que estou sendo repetitivo, mas não há como não ser. E, nesta sensação de anestesia, de uma carga cavalar de emoções distintas e tão bonitas, que me faz repetir deliciosamente o quanto este momento é incrível e sublime, retomo o que escrevi lá no início: hoje é um dia de gratidão. Agradeço, do fundo da alma, ao universo, aos deuses, aos anjos, ao acaso, seja lá o que for. Agradeço por ser colorado. Agradeço porque me sinto um privilegiado.  Agradecerei, por toda a eternidade, por ter estado vivo para ver o que vi hoje. 

Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Créditos das fotos: Alexandre Lops, Jefferson Bernardes e Vinic, página oficial do Sport Club Internacional no Facebook.

Bruno Mello Souza (71 artigos)
Cientista político, politicamente incorreto, colorado apaixonado. Não necessariamente nesta ordem. Twitter: https://twitter.com/brunomellosouza Facebook: https://www.facebook.com/bruno.mellosouza

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