Mais uma vitória conquistada com a união entre time e torcida

Foi a fórceps. Mas foi. No jogo mais emocionante do Novo Beira-Rio, e, sim, um dos mais emocionantes de toda a história do estádio, o Inter arrancou na alma o resultado do qual muitos e muitos duvidavam, até com certa razão.

O receio era grande, a situação bastante adversa, e o adversário, bastante duro. Porém, quando existe uma comunhão entre torcida e time, tal como houve ontem, o Colorado é praticamente indestrutível nos seus domínios.  E assim foi mais uma vez. Santa Fé tornou-se cru ceticismo.

O primeiro tempo foi de dificuldades homéricas. Apesar do gol de Juan logo no início, o time do Inter não encaixou com seus quatro homens de meio e dois no ataque, e encontrou-se embretado em seu campo. O time de Bogotá teve domínio das ações e prevaleceu no setor central, apesar da falta de profundidade e objetividade.

Entretanto, se a primeira etapa foi periclitante, o Inter transformou-se extraordinariamente no segundo tempo. A partir dali, o Beira-Rio presenciou uma atuação alucinante do time mandante. Aliás, poucas vezes a palavra “mandante” fez tanto sentido quanto nos 45 minutos finais de Internacional e Santa Fe. O Inter mandou em todas as ações. Não perdeu uma dividida e massacrou a equipe colombiana sem descanso. Para se ter uma ideia, ao longo do jogo, o time da casa teve 53% de posse de bola, e arrematou ao gol 14 vezes- das quais oito no alvo contra apenas duas finalizações dos colombianos, nenhuma delas em direção ao gol de Alisson. Além disso, o Internacional errou menos passes que o Santa Fe (32 x 37) num universo de 304 passes trocados contra 225 do adversário.

A partida se desenrolava com o Colorado dominando, criando chances, e só sendo parado pelas botinadas do Santa Fe, que bateu mais que guri de 15 anos debaixo do chuveiro. Com justiça, dois foram expulsos. E aí a pressão tornou-se insuportável para os visitantes, que levaram o gol que não foi de Rafael Moura- foi contra-, mas foi da presença de espírito de Rafael Moura, em um dos 27.618 escanteios que o time de Aguirre teve no jogo. 2 a 0 e Inter classificado, em mais um desses jogos que dizem: “opa, esse time aí tem chegada”, assim como ocorreu nos dois confrontos contra o também fortíssimo Atlético Mineiro.

É importante destacar, ainda, as atuações gigantescas de D’alessandro, que geralmente cresce demais em momentos decisivos, e de Valdívia, que entrou no primeiro tempo no lugar de Sasha, lesionado, e teve outra atuação inversamente proporcional à sua beleza, o que, convenhamos, significa muita coisa.

Agora teremos a parada para a Copa América, e a importância crucial do momento é manter o foco e a dedicação intensa no trabalho. O Inter vai se aproximando do Tri, mas continuar com os pés no chão é indispensável. O Tigres, do velho conhecido Rafael Sóbis, é adversário de respeito, e exigirá bastante do time capitaneado por D’alessandro. Por isso, ter a cabeça no lugar e não entrar em qualquer tipo de entusiasmo desenfreado é questão central nesse contexto. Muitas vezes, para alcançar sonhos, é fundamental manter-se firme na realidade, e exatamente assim o Colorado deverá proceder. Diego Aguirre e o elenco têm mostrado seriedade suficiente para que confiemos nisto.

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