Tenhamos a consciência: Sóbis está do outro lado

Entrevista de Rafael Sóbis à Rádio Atlântida serve para deixar muito claro que o atacante está DO OUTRO LADO (leia aqui). O jogador, que em outro momento foi importantíssimo para o Inter, fez questão de ressaltar que vai, sim, jogar para ganhar do Colorado, quando estiver em campo com a camisa do seu Tigres. Mais do que isso, disse que sabe como ganhar do Internacional, sabe como irritar D’alessandro, e assim atuará. Para fechar com chave de m., fez galhofa com integrante colorado do programa, perguntando se o mesmo havia terminado de pagar as prestações da viagem a Abu Dhabi.

Fique claro: Sóbis tem todo o direito, e mais do que isso, a obrigação de jogar para vencer a Libertadores com a camisa do seu clube. É o Tigres que lhe paga o salário, que ao que consta não é baixo. E o atacante usará todos os recursos para passar por cima do Inter. Por isso mesmo, os colorados que estarão no Beira-Rio em 15 de julho têm de ter a exata dimensão disso. Não há espaço para homenagenzinha ou comoção no reencontro da semifinal da maior competição da América. O mar vermelho tem que afogar Sóbis em suas vaias. O Beira-Rio tem de ser um espaço desportivamente hostil. Para os amiguinhos com dificuldades de interpretação de texto, reforço: DESPORTIVAMENTE hostil. Como foi contra o Santa Fe. Sóbis tem de sentir-se desconfortável, como nunca talvez tenha estado em toda sua vida.

Que o apoio fique com quem está do nosso lado, do lado do Inter, neste jogo. Valdívia, Nilmar, López, D’alessandro, Dourado, William, Juan: estes, sim, deverão ser incentivados e aplaudidos. Quem está do outro lado é adversário, e tem interesses absolutamente contrastantes e opostos aos nossos. Sem chororôs ou mimimis.

Por fim, causa surpresa negativa um sujeito que esteve presente no episódio Mazembe, com a camisa vermelha, use isso como motivo para debochar de colorados. Surpreende ainda mais vindo de um cidadão que perdeu um gol feito logo no início daquela partida e poderia ter mudado toda aquela triste história naquele lance. Assim como foi inegavelmente protagonista nas duas Libertadores conquistadas pelo Inter, ele foi, também, personagem central naquela fatídica derrota para o time do Congo. E soa bastante desrespeitoso, partindo de quem partiu, fazer escárnio com os torcedores que tanto sofreram, e com os milhares que gastaram um nota preta, venderam bens, fizeram o diabo para vê-lo perder um gol de frente para Kidiaba e depois observar o time sucumbir de forma melancólica e inacreditável na semifinal do Mundial Interclubes de 2010.

Assim, que fique bem nítido onde estão as peças da semifinal que enfrentaremos após a Copa América: neste tabuleiro, Sóbis está do lado de lá, inapelavelmente.

Cacalo e o jantar

Não poderia deixar de escrever sobre a extraordinária notícia, recheada de fontes absolutamente isentas e confiáveis, trazida por Cacalo em sua coluna do Diário Gaúcho (leia aqui e desperdice seu tempo). A partir de e-mails, sabe-se lá de quem, teria havido, sabe-se lá onde- dois ou três lugares, aparentemente denunciando a espetacular descoberta da tecnologia do teletransporte ou da multipresença- um jantar de sabe-se lá quem do Inter, com sabe-se lá quem da Conmebol e o presidente da FGF, Francisco Noveletto. Chama a atenção como essas fontes- aparentemente torcedores- são antenadas para as fisionomias de dirigentes da Conmebol (os quais eu não reconheceria na rua) a ponto de reconhecê-los num jantar. Ou estariam falando muito alto no restaurante- ou nos sei lá quantos restaurantes-, a ponto de estas diversificadas fontes terem tido tais informações para reconhecer este “estranho jantar”. Nessas horas, fico reflexivo: de que adianta o dom da multipresença quando se é tão imprudente? Mas não tem problema: Cacalo, este sim, muito prudente, deixou tudo no condicional. Talvez nem tenha acontecido nada disso. Pelo menos, rendeu uma coluna com espaço de destaque no site do Clicrbs. É o selo Enrico Cabrito de qualidade cada vez mais em evidência no jornalismo esportivo gaúcho.

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