A hora de remobilizar

É terrível a sensação de ver a maionese desandando. E é assim que grande parte dos colorados, incluindo eu, se sentem. O período que deveria servir para engrenar no Brasileirão acabou servindo para soterrar o Inter na mediocridade. No domingo, até fazia boa partida contra o Galo. Mas sucumbiu ao adversário no segundo tempo, principalmente após a expulsão de Anderson.

Ao mesmo tempo, estamos vendo o Tigres, obsessivo por ser o primeiro mexicano Campeão da Libertadores, se reforçar com nomes de peso, com destaque para Gignac. Simultaneamente, a zaga do Inter inspira tanta confiança quanto o maníaco do parque trabalhando de babá. O momento é complicadíssimo do ponto de vista psicológico.

Por isso, é hora de direção, jogadores e mesmo a torcida, promoverem uma grande remobilização. Independentemente de satisfação ou insatisfação com rodízio, da desconfiança com os zagueiros, do respeito que o forte adversário impõe, na competição continental somos semifinalistas. E só do Inter depende a classificação.

A falta de espírito competitivo no Brasileirão tem comprometido- de forma irreversível, talvez- a campanha do time na competição. Mas na Libertadores, o Inter está intacto.

Em 2010, me recordo de um jogo totalmente anticlímax no Beira-Rio, antes da Copa. O Colorado perdeu para o São Paulo, que viria a encontrar nas semi da Libertadores, e a sensação é de que não iria dar. Que aquele time pastoso de Jorge Fossati inevitavelmente fracassaria. Pois deu, e o time ressurgiu, já nas mãos de Celso Roth, com extraordinária força, amassando o Tricolor Paulista no Gigante e depois confirmando a classificação no Morumbi. Ao fim, o Inter consagrou-se como Bicampeão da América.

O jogo contra o Galo pode ser um paralelo com aquele. E agora é a hora, mais do que nunca, da comunhão. Não, dessa vez eu não creio na troca de treinador. Mas creio na mudança de espírito, naquela que força vem das entranhas na busca de um objetivo maior. Passamos pela tremenda adversidade do Santa Fe. Passamos pelo fortíssimo Galo. Passamos por uma primeira fase em que muitos nos desacreditavam. Não será agora, entre os quatro melhores, que vamos nos entregar.

A torcida já deu uma espetacular demonstração de apoio e confiança ao esgotar os ingressos para o jogo do Beira-Rio. Agora, cabe a time, comissão técnica e direção, corresponderem. Está desencadeada a “Operação Tigres”. Chegou o momento de embalar e criar o cenário de decisão na Libertadores. O espírito melancólico de fim de festa que parece ter contaminado um pouco a cada um de nós precisa ser exorcizado. Retomo o slogan da campanha do primeiro título de Libertadores conquistado pelo Inter: agora é guerra.

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