#FechadocomAllejo

D’alessandro sugeriu aos colorados que se desliguem do que a imprensa diz e tratem de jogar um Playstation enquanto aguardam as semifinais da Libertadores. No atual estágio das coisas, é interessante a proposta do capitão colorado. A declaração foi genial. Passa para o torcedor uma sensação de “Fecha os olhos e confia”.

Porém, ainda que a espirituosa frase de D’ale seja interessante, vou discordar do argentino. Não estou fechado com o Playstation. Estou fechado é com o Nintendo 64. Pode parecer coisa de gente antiga e saudosista. Talvez eu seja. Sabe como é, gosto da magia do videogame moleque, do console maroto, do joystick bailarino e cheio de gingado.

Nada pode ser tão marcante como aquela mitológica Seleção Brasileira. Da Silva era um goleiro bem mediano, mas era compensado pela proteção do xerife Vincento e de Paco, o zagueiro zagueiro, uma espécie de híbrido genético de Tonhão com Odvan. Nas laterais, tínhamos Ferreira, deficiente na marcação e nos cruzamentos, mas cheio de vitalidade, por um lado, e Cícero, um cracaço injustiçado, do outro. Quando Cícero engatilhava sua patada em diagonal, os goleiros tremiam.

Na meia cancha tínhamos Roca, discreto e eficiente volante, um verdadeiro cão de guarda à frente da zaga, acompanhado pelo ótimo Santos, um segundo homem de apreciável técnica. Completavam o meio-campo Beranco, instável, às vezes irregular e desligado, mas muito talentoso, e Pardilla, um verdadeiro motorzinho, meia-esquerda rápido, hábil e perspicaz.

No ataque, surgia Gomez, forte, vigoroso, mas também técnico, que naquele esquema se sacrificava para que brilhasse ele, o mito, a lenda, o gênio, o maior entre os maiores, aquele que faz Messi parecer Anderson Cebola e Pelé parecer Everaldo Robocop: Allejo. O centroavante brasileiro era uma máquina de destroçar adversários. Que jogador, amigos! Que jogador!

Ah, aquele time não levaria 7 a 1 da Alemanha nem aqui, nem na Conchinchina! Nem a pau, Juvenal!

Havia ainda, naqueles áureos tempos de futebol videogamístico de raiz, outras belas e inesquecíveis equipes. Como não recordar de Platt, o velhinho bom de bola da seleção da Inglaterra? Ou do também grisalho italiano Carboni, combinando jogadas com o ótimo Galfano? E Sieke, o matador da Alemanha? “Gott vergibt, nicht Sieke”, costumavam dizer os alemães (“Deus perdoa, Sieke não”, em português). E aquela sempre temível equipe argentina, da dupla de ataque Fuerte e Capitale, sempre muito bem servida pelo refinado Redonda?

Não, D’alessandro, não estou fechado com o Play. Mas posso pensar no caso de fechar com Allejo e o Nintendo 64. Desempoeirar tudo, soprar a fita e partir para o abraço. Isso até a quarta que vem, ou no máximo até o fim da Libertadores. Sabe como é, meus tempos de me alegrar só no futebol do videogame já passaram. E espero que não voltem nunca mais.

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