Uma pequena- mas importante- vantagem

A partida da noite de ontem no Beira-Rio foi mais um capítulo de intensidade, emoção e dramaticidade na trajetória colorada na Libertadores de 2015. A força ofensiva do time do Inter contrabalanceia a fragilidade defensiva, principalmente do miolo de zaga formado por Ernando e Alan Costa. Os jovens laterais também não passam pelo seu melhor momento, o que confere mais um pouco de emoção ao contexto.

O Colorado começou avassalador, absolutamente empolgante, abrindo 2 a 0 antes dos 10 minutos de partida. Depois, porém, começou o sufoco. Se em algum ponto daqueles dez primeiros minutos chegamos a sonhar com uma goleada e em nos deitar em um colchão de tranquilidade, essa quimera foi pulverizada com o gol de Ayala, para o Tigres. Naquele momento, nossos pés voltaram à realidade, e passamos a enfrentar as verdadeiras dificuldades que o forte time mexicano reservava.

Alisson foi sensacional ao salvar o time em pelo menos duas chances claras de gol do adversário, de Sóbis e Gignac. O Beira-Rio virou um grande antro de nervosismo. E o Inter jogou o restante da primeira etapa de forma catatônica, sendo totalmente envolvido no meio-campo e na defesa. No segundo tempo, as coisas melhoraram com a expulsão de Ayala. O Colorado voltou ao jogo e até poderia ter aumentado a vantagem. Mas não conseguiu.

Ao fim do jogo, ficou uma sensação mista de alívio e angústia. Ficou o gostinho de quero mais proporcionado pelo início da partida, quando tudo parecia poder definir-se tranquilamente. No entanto, aquela não era a realidade. O confronto é duríssimo para os dois times. Assim será na volta, em Monterrey. Em mata-mata de semifinal de Libertadores, confronto de gente grande, qualquer vantagem é vantagem. Geralmente caímos no vício de pensar que levar um gol em casa é uma tragédia. Claro que não é bom. Mas estamos falando de um critério de desempate. No jogo de 180 minutos, estamos no intervalo e ganhando por 2 a 1.

Se a vantagem colorada é pequena, é também fundamental em duelo tão equilibrado. O gol que o Tigres leva como bônus em sua bagagem o Inter pode perfeitamente igualar no México. Tem poder de fogo para isso e até mais, uma vez que o adversário terá de sair para o jogo e oferecer espaços para a velocidade de Nilmar, Valdívia e Sasha. Obviamente, a equipe colorada não poderá se acovardar, aconchegando-se com a pequena vantagem que possui. Tem que jogar com personalidade, agredindo, trocando golpes com o adversário. Como fez contra o Atlético Mineiro no Independência, por exemplo.

O confronto está totalmente aberto. Mas estamos ganhando. E estamos vivíssimos.

PS: Sóbis reclamou dos xingamentos da torcida em sua saída de campo. Tremenda bobagem e hipocrisia, pois quem atuou o tempo todo de forma tão raivosa e destemperada, provocando e tentando arranjar encrenca a cada lance- como ele geralmente atua contra o Inter, e só contra o Inter- não pode esperar postura diferente do torcedor do clube que o abraçou a lançou ao mundo do futebol. Ele continuará sendo um ídolo histórico do Inter, isso nada irá mudar. Mas ídolos, ídolos, semifinais de Libertadores à parte. Em alguma ocasião futura ele poderá, deverá e certamente será aplaudidíssimo. Mas não agora. No momento, estamos em lados e com interesses absolutamente opostos.

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *