O sonho

O jogo é duro e equilibrado, mas o resultado serve. Os primeiros 45 minutos do duelo mantiveram o 0x0 no placar, ainda que sob forte pressão do Tigres.

Na volta para a segunda etapa, porém, Diego Aguirre alterou o time, colocando Lisandro López e Vitinho e deixando o time sem laterais, o que certamente aumentaria de modo dramático as tarefas defensivas de Valdívia e Sasha pelos flancos.

Comigo mesmo, olhando para a tv, eu pensava: “Que loucura é essa? Tomara que me surpreenda positivamente… Mas que loucura é essa que o Aguirre tá fazendo?”.

E a verdade é que funcionou. O Inter passou a envolver espetacularmente o time mexicano com passes rápidos e movimentação intensa, melhor ainda do que em seus melhores momentos na temporada.

O sol nem havia ainda se despedido do céu de Monterrey, enquanto aqui em Porto Alegre já estávamos para lá das 23 horas. Aquela luz crepuscular deixava o jogo com uma aparência especialmente encantadora.

Logo no início do segundo tempo, numa dessas combinações, D’alessandro, pelo meio, na intermediária ofensiva, encontrou Nilmar cortando a defesa como um raio, do centro para a direita.

A enfiada de bola foi cinematográfica, e o atacante surgiu de frente para o goleiro. Deu um tapa na bola, não driblando, mas apenas passando pelo arqueiro, e num toque tranquilo mas decidido, marcou o gol.

Por uns três segundos, antes de comemorar, olhou para o bandeira, que corria para o meio. O gol estava confirmado. 1 a 0 para o Inter.

Eu saí vibrando pelo apartamento. Fui até a janela, e a cena que vi era incrivelmente bonita. A rua estava cheia de colorados com suas camisas vermelhas, numa confraternização impressionante.

Abri a janela, e soltei do fundo da alma o grito “Vamoooo Inteeeeeer!”.

E assim mesmo, gritando, despertei em minha cama.

Eram 5:35 da manhã de hoje, sábado.

Fiquei sem saber o desfecho daquela partida.

Num ato quase desesperado, tentei voltar a dormir, voltar àquele cenário, sanar minha curiosidade.

Mas quem disse que o sono voltaria?

Fiquei ali, com o coração ainda acelerado, mastigando aquela criação da minha mente.

Até anotei o sonho no bloco de notas do celular, para não correr o risco de esquecê-lo.

Bobagem, porque não havia como esquecer.

Ah, ainda falta muito para a quarta-feira.

E este jogo está mexendo comigo como há muito tempo uma partida de futebol não fazia…

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