Sasha, o homem-chave do novo Inter de Argel

Argel chegou ao Inter prometendo um esquema bem simples de 4-4-2 em quadrado no meio de campo. Me surpreendeu a rigidez com que ele afirmou isso. Imaginava eu que, para além da seriedade e do discurso de dedicação, o novo comandante colorado deveria apresentar um repertório um pouco maior do que o modelo base de escalação de times do Brasfoot. E felizmente, é isso que se tem visto, mais fortemente ainda na partida contra o Atlético Paranaense, vencido com autoridade pelo Colorado.

A rigor, o Inter tem variado entre um 4-3-1-2 sem a bola e um 4-3-3 com a redonda nos pés. Essa flexibilidade é permitida graças a Eduardo Sasha, que cada vez mais demonstra ser um monstro tático, jogador de nível europeu. Sasha não é um primor técnico. Não é extraordinário em nenhum dos fundamentos básicos de jogadores do meio para a frente. Mas os executa quase todos em bom nível. Falta-lhe o drible, o enfrentamento no mano a mano. Todavia, essa falta é compensada por uma admirável capacidade de compor o esquema em distintas situações. É Sasha o homem-chave para fazer transformações táticas na equipe ao longo das partidas.

A imagem abaixo demonstra, primeiramente, sua capacidade de composição defensiva, formando uma linha de volantes com Dourado e Nílton. Isso se repetiu durante todo o confronto com o Furacão.

Sasha compondo a linha de três volantes.

Sasha compondo a linha de três volantes.

Com a bola, porém, Sasha possui a capacidade de surpreender e aparecer praticamente como um centroavante, à frente, inclusive, da linha de atacantes, como se pode notar a seguir.

Em jogada de flanco, Sasha surge como centroavante.

Em jogada de flanco, Sasha surge como centroavante.

Por fim, a jogada mais envolvente do Inter em toda partida, ocorrida no segundo tempo, quando Léo finaliza pela linha de fundo. Observe a jogada em dois momentos, sua origem e seu final.

Na origem, Sasha combina a jogada executando papel de ponteiro-esquerdo.

Na origem, Sasha combina a jogada executando papel de ponteiro-esquerdo, alinhado a D’alessandro e atrás da linha de atacantes.

Após fazer a diagonal, Sasha termina aparecendo novamente como centroavante, à frente da linha de atacantes formada por Vitinho e Valdívia.

Após fazer a diagonal, Sasha termina aparecendo novamente como centroavante, à frente da linha de atacantes formada por Vitinho e Valdívia.

Se essa nova formação do Inter, promovida por Argel, é promissora, isso se deve em grande medida aos méritos de Eduardo Sasha. O futebol cada vez mais exige isso. Mais do que a excelência num ou noutro fundamento, o que se necessita é a composição tática com jogadores que saibam executar pelo menos de forma razoável uma série de fundamentos em campo, movimentando-se e exercendo mais de um papel. É isso que torna uma equipe imprevisível. É isso que agrega repertório.

Hoje, temos em Sasha esse nome. Mas não podemos ser reféns. Outros jogadores devem desenvolver tal capacidade. Quanto mais atletas assim, maior o leque de jogadas e possibilidades, e menores as probabilidades de se ficar engessado diante de adversários que fechem as principais vias de funcionamento de um time.

Este trabalho tem de vir da base. Que por lá seja estabelecida a meta de formar mais Sashas, jogadores capazes de ocupar distintos espaços e executar uma boa variedade de funções num mesmo jogo, numa mesma jogada. O time de cima será melhor nutrido, sofrerá menos a perda de uma ou outra individualidade nas “janelas da vida”. Não é nem questão de que isso seja o futuro. É o presente do futebol pelo mundo.

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