O Gre-Nal da retomada da auto-estima

O Gre-Nal do último sábado, além de ter sido um dos melhores dos últimos anos, cheio de alternativas técnicas e táticas, serviu para algo de fundamental importância no atual contexto colorado: retomar a auto-estima.

Em 2016, o coração do torcedor do Inter foi muito maltratado, pisoteado, machucado com o rebaixamento e o desempenho ridículo do time ao longo da temporada.

No início da atual, houve problemas, sim, e o treinador Antônio Carlos ainda faz escolhas questionáveis. Porém, o trabalho começou a apresentar sinais muito nítidos de evolução, engrenando nas últimas semanas.

Faltava, contudo, um grande teste. O clássico se prestaria a isso.

O começo da equipe colorada no Gre-Nal foi assustador. O domínio do Grêmio, em volume e chances de gol, era notório. O Tricolor saiu vencendo, e parecia não haver perspectivas de reversão daquela realidade dura que se impunha no campo.

E aí veio a grata surpresa do segundo tempo. O Inter apresentou algo que há muito tempo não apresentava: poder de reação.

Aliado ao extraordinário poder de indignação que parecia esquecido em alguma gaveta empoeirada atirada em algum canto do vestiário do Beira-Rio, o time jogou bola, passou a tocar a redonda e a atacar o rival. Brenner merece destaque por mais uma atuação decisiva, dando assistência e fazendo gol.

Sobrou personalidade para reverter o placar, e o time quase saiu da Arena com os 3 pontos. O bom futebol também despertava saudades, parecendo que nunca mais voltaria a aparecer pelas bandas coloradas. Pois voltou.

Ventos promissores sopram na beira do rio. Fazia um bocado de tempo que não era assim.

Muito disso, sem sombra de dúvidas, deve-se, para além do trabalho de Antônio Carlos que começa a florescer, à ascendência de D’alessandro sobre os companheiros de time. O argentino é uma liderança sobrenatural, um mito da história colorada, uma bandeira do clube dentro de campo. Fez toda a diferença. Na bola e no espírito.

O empate com bom futebol conquistado pelo time ferido pelo rebaixamento, diante do poderoso rival, autoproclamado Rei de Copas e grande Campeão da Copa do Brasil, fez um bem danado para o Inter.

Talvez tenha sido um momento-chave para o crescimento e o acesso de volta à primeira divisão. Cria-se uma atmosfera de otimismo, acalma-se o ambiente, ganha-se respaldo para o trabalho. Isso é importantíssimo numa temporada tão atípica como é a atual.

E aí tem gente que, diante disso tudo, se faz de desentendida sobre o entusiasmo da comemoração dos jogadores colorados ao fim da partida. Haveria como não comemorar tal resultado considerando todas as circunstâncias acima mencionadas?

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