Caso Cuesta: sejam menos irresponsáveis

O racismo é uma das coisas mas vis e asquerosas que já observamos partir da espécie humana.

É coisa seríssima e que merece todo o repúdio do mundo.

Porém, o suposto caso de racismo envolvendo o zagueiro Cuesta, do Inter, deve ser encarado com muita cautela.

Vejo gente da imprensa querendo botar fogo no circo, exalando uma sanha punitivista inacreditável- sanha essa que em outros momentos esteve, digamos, “adormecida”.

Para esse pessoal, pouco importam provas de que Cuesta tenha cometido o tal ato contra o jogador do Ceará: babando e com veias saltadas na testa, eles querem punição.

Essa postura é de irresponsabilidade e inconsequência absurdas.

Elton diz que foi chamado de macaco. Cuesta diz que não o chamou de macaco. Isso é tudo o que temos.

Até agora, nenhuma prova foi apresentada. Aparentemente ninguém, além do próprio Elton, ouviu a tal injúria. É a palavra de um contra a do outro.

O mais bizarro é que o jogador do Ceará só resolveu fazer boletim de ocorrência um dia depois do ocorrido, e somente após se reunir com o departamento jurídico do Ceará.

Estranho, não?

Mas a irresponsabilidade sensacionalista tem ido longe demais. Para os babões de testas veiudas, mesmo que não tenha acontecido, aconteceu. Acham que Victor Cuesta deve ser eliminado da face da Terra pelo simples fato de que eles acham que aconteceu. Saber a verdade? Isso parece mero e inconveniente detalhe.

Imaginem a seguinte situação hipotética. Meu time está disputando um determinado título de pontos corridos cabeça a cabeça com outro. Lá pelo meio do segundo turno, no confronto direto, peço para algum jogador meu arrumar confusão no meio do campo e inventar que o craque do time adversário o chamou de macaco.

E aí? Pune-se o jogador, sem provas? O time que foi prejudicado pela história inventada perde seu principal jogador por longas rodadas e, quase consequentemente, o título para o time que jogou sujo e inventou a situação?

Imaginem o precedente absurdo que essa gente que pensa com o fígado pode estar criando!

Falar, qualquer um pode falar. E pode falar qualquer coisa. Eu posso falar que o Guardiola me telefona todas as noites para pedir conselhos táticos e trocar ideias sobre futebol. Isso não basta.

Por isso, sejam menos irresponsáveis, coloquem seus clubismos na gaveta por um instante e aguardem provas e desdobramentos.

Se por acaso se comprovar a atitude racista de Cuesta, serei o primeiro a exigir punição severa ao jogador, pouco me importando os prejuízos técnicos que isso possa causar ao Inter. Estamos tratando de um assunto grave, delicado, e que não pode ser banalizado.

Contudo enquanto a prova não surge, a presunção de inocência é necessária.

É a postura mais razoável a se adotar, especialmente se considerarmos a estranheza dos fatos…

4 Comentários

  1. Marcos 14 de julho de 2017 Reply
    • Bruno 14 de julho de 2017 Reply
      • Jj 14 de julho de 2017 Reply
  2. Matheus 14 de julho de 2017 Reply

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *